O tempo passa e o futebol é visto no Brasil de uma forma diferente. O entusiasmo das arquibancadas continua o mesmo. A garra em campo diminuiu para alguns. Para outros, a disputa pela bola se torna cada dia mais acirrada. Uma coisa ninguém pode negar, acompanhando a evolução do mercado, o público vem exigindo cada vez mais qualidade e acessibilidade nas informações, serviços e transmissões esportivas. Os profissionais da mídia esportiva investem pesado na divulgação da melhor qualidade para o consumidor, pois este, muitas vezes paga mais caro por boa qualidade e principalmente exclusividade de serviços.
Da mesma forma que a globalização vem afetando todos os mercados, no entretenimento e principalmente no esporte não está sendo diferente. Atualmente a internet é a grande proliferadora de informações e está se tornando o maior canal de serviços prestados ao consumidor de forma interativa, com o triplo de velocidade e grande economia de custos. Não ia demorar muito para o futebol tirar proveito deste filão, não é?
Pois é, o marketing esportivo está crescendo no Brasil, mas como lemos e ouvimos em todos os lugares, ainda estamos engatinhando no assunto. Não podemos dizer que o país tem pouca infra-estrutura para adotar soluções tecnológicas em todos os serviços esportivos, pois vemos constantemente boas ações interativas de sucesso por aí, mas muito menos do que poderíamos utilizar. Não podemos colocar a culpa na cultura do nosso povo, pois o país é um dos grandes consumidores da internet, liderando acessos em blogs, redes sociais virtuais e inclusive é um grande consumidor dos serviços de telefonia móvel como envio e participação de promoções por SMS.
A grande barreira que profissionais do marketing encontram quando querem apresentar serviços de tecnologia, para serem aplicados no mundo futebolístico, é o antigo problema da administração empírica existente nos clubes. O dia que os clubes começarem pelo menos a ouvir metade das propostas que chegam à sua mesa, ao invés de perguntarem de imediato quanto receberão em dinheiro por estarem cedendo a imagem e o espaço do seu clube para a proposta, poderemos ver algum progresso como vemos em alguns cases de lojas virtuais de clubes, projetos de sócio-torcedor, sistema interativo de compra de ingressos e por aí vai.
Nunca tive a experiência de acompanhar uma partida de futebol no exterior, mas só de pensar em tudo que já ouvi em relação a serviços prestados ao consumidor, antes, durante e depois de jogos nos campeonatos europeus, não consigo nem imaginar quando metade desses serviços pode desembarcar por aqui. E o pior é que temos estrutura e profissionais habilitados para aplicar tudo o que o mercado globalizado já aceitou.
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Quando olhamos para a arquibancada do Flamengo em um clássico de domingo no Maracanã, ou para a torcida do Palmeiras lotando o Palestra Itália e vemos aquela massa de gente idolatrando as mesmas cores, enxergamos quantos consumidores em potencial? Tudo bem, você pode dizer que cada um que pagou pelo seu ingresso já está contribuindo e muito para o clube, mas sabemos que a receita de bilheteria no Brasil se trata de uma das menores fontes de receita juntamente com o licenciamento de produtos oficiais. Ah, os produtos oficiais! Acabei de encontrar na internet a camisa do Rio Claro pra vender por R$ 109,90 e tem aquela camisa azul clara do Barcelona também, que sai por R$ 79,90 no mesmo site. Na torcida do Flamengo, qual a porcentagem de camisas oficiais no peito dos torcedores? E o escudo do time estampado nos uniformes das torcidas organizadas, o clube está ganhando ou perdendo com isso? Fora os produtos piratas. Na torcida do Corinthians, se você vê na arquibancada um torcedor com o terceiro uniforme meio azulado, pode acreditar que é oficial, mas se for roxo, pode crer que é pirata. O mesmo acontece nos diversos tons de verde limão encontrados na torcida do Palmeiras.
No Brasil encontramos todos os tipos de torcedores, desde simpatizantes e fanáticos, até os admiradores do esporte que compram camisas de diversos times. Acontece que a parcela de torcedores fiéis que gastam seu dinheiro no clube sabendo que estão colaborando para o seu rendimento é muito pequena. Isso acontece pois esta é a cultura do torcedor brasileiro. Seria interessante saber quais os times com o maior número de sócio-torcedores no Brasil. Estes números já devem existir, mas não acredito que Flamengo e Corinthians estejam na ponta.
Há alguns anos vemos programas de Sócio-Torcedor em diversos clubes do país, onde o grande objetivo é conquistar sócios que não atrasem as mensalidades e que consumam seus produtos, cada um traça sua própria estratégia ou tenta adaptar exemplos consagrados no exterior, ou até mesmo em solo brasileiro.
A mídia destaca alguns projetos que parecem estar dando mais resultados que outros, como é o caso do Inter de Porto Alegre, Grêmio e Cruzeiro. Como temos um grande território e uma grande diversidade de cultura, certas regiões se adaptam mais fácil a este tipo de ação. Gostaria de citar dois casos que me chamam atenção pela estratégia adotada: o São Paulo e recentemente o Juventude, que focam como seu principal alvo o público infantil. Será que dá certo formar novos torcedores praticamente com uma “lavagem cerebral”? Torcer pra um clube por tradição de família já pode estar um pouco ultrapassado, mas não consigo imaginar um pai palmeirense saber que seu filho foi convidado a fazer um tour pelo Morumbi, e que de brinde levará camisa e mascote. Desta e de outras maneiras, o São Paulo, em 10 anos pretende ter a maior torcida do Brasil e o Juventude no seu centenário, daqui a 5 anos, ter uma explosão de novos torcedores fanáticos pelo clube.
Fazer o torcedor-consumidor freqüentar ume estádio seguro, com produtos oficiais a preços normais e populares, garantir a comodidade do sócio-torcedor em sua cadeira cativa e investir em ações de relacionamento e merchandising no auge da festa pode ser uma ótima estratégia de conquistar novos torcedores, independente se o clube é o melhor ou se está abaixo de seu rendimento. Quando o clube cativar seus torcedores e fazer com que eles virem seus consumidores oficiais, teremos talvez um grande equilíbrio na gestão financeira e técnica de nossos clubes.
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Estamos cansados de ler e ouvir sobre as fórmulas de sucesso no esporte aplicadas no exterior. Nos últimos anos, Premier League, NBA, Uefa Champions League, Milan, Manchester e Real Madrid têm roubado a cena quando o assunto é marketing esportivo, investimento, organização e principalmente retorno. Não agüentamos mais perder nossos atletas para times milionários que representam bem o nosso país, mas que na verdade não estão defendendo nossa nação, e sim apenas um clube bem distante de sua terra natal. Muitos afirmam que o investimento no esporte dá certo no exterior porque a cultura do povo é diferente ou a situação financeira dos consumidores favorece esta aposta, fora detalhes pontuais que comprovam sua eficácia. Todos concordamos, pois a repercussão e os números estão aí para provar que eles sabem mesmo trabalhar mas, será que o investimento só dá retorno neste universo, que parece tão distante de nós? Tem gente que duvida e está pagando pra ver.
A empresa austríaca Red Bull, famosa por estar sempre ligada ao esporte, patrocina diversos eventos e atletas de esportes radicais pelo mundo, é extremamente ousada e feliz na construção de eventos únicos como a Corrida Aérea – Red Bull Race, e não cansada, possui equipes em esportes como a Fórmula 1, o hóquei no gelo e como muitos sabem, o futebol! Pois é, o Red Bull Salzburg e o Red Bull New York representam a marca na Áustria e Estados Unidos respectivamente, e desde o começo do ano, o Estado de São Paulo foi escolhido para ser o novo investimento da empresa de bebidas energéticas, o time Red Bull Brasil.
Jogando pela quarta divisão do Campeonato Paulista de Futebol, o Red Bull Brasil, com uma grande estrutura e transparência, almeja disputar o Campeonato Brasileiro no ano de 2011. Querendo repetir o sucesso em tudo aquilo que aposta, a Red Bull entrou nesta empreitada para sacudir o futebol brasileiro demonstrando seriedade, investimento pesado e, mais uma vez, transparência na condução de um time de futebol, onde não se encontra a burocracia e a direção amadora e empírica conhecida em praticamente todos os times do Brasil.
E agora, será que investir em um time de futebol no Brasil dá certo? Tenha certeza que, se feito um trabalho sério e principalmente contínuo, muita coisa pode mudar no cenário futebolístico em poucos anos. Times que receberam grandes investimentos de empresas sérias como Parmalat deram certo, mas apenas enquanto estiveram com sua marca estampada na camisa do patrocinado. Com a saída do seu principal investidor, o time do Palestra Itália caiu para a segunda divisão. Depois de um grande investimento o Corinthians montou um grande time e almejava conquistar reconhecimento internacional, mas afundou após perder a Libertadores e ver os investidores caírem fora na mesma hora junto com seus jogadores, também caíram pra segundona. E não podemos esquecer o principal problema do futebol no país, a corrupção.
Empresas como a Red Bull, quando investem em um clube, estão colocando o seu nome em jogo e não podem sair no meio do campeonato e vender todos os seus jogadores. Esta empreitada tem tudo pra dar certo e coloca no mercado um novo formato de clube-empresa. Se a moda pegar por aqui o futebol brasileiro só tem a crescer. De um lado veremos clubes com nomes de empresa querendo buscar um espaço permanente na mídia e do outro, as tradicionais agremiações, clubes e sociedades esportivas vão ter que se profissionalizar para não perder seu merecido espaço. Este espaço eles nunca vão perder, mas que o mercado vai sacudir, pode ter certeza.
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Tente se lembrar quantas vezes você viu o Rei Pelé estrelando um comercial na televisão brasileira nos últimos cinco anos. Agora tente lembrar neste mesmo período quantos jogadores de futebol, em atividade, estrelaram campanhas publicitárias na TV. Não consigo me lembrar de atletas protagonizando campanhas esportivas no Brasil, apenas dos brasileiros que jogam no exterior.
Grandes marcas esportivas patrocinam times e até fazem contratos exclusivos com jogadores para explorar o ídolo ao máximo, atrelando seu carisma, habilidade e espírito esportivo com a imagem do patrocinador. É muito comum ver na Europa, campanhas publicitárias da Nike, Adidas, Puma e Reebok protagonizadas por atletas e times patrocinados. Uma poderosa estratégia de marketing que agrega muito valor à marca. Jogadores brasileiros são muito aproveitados por marcas esportivas em suas campanhas, mas apenas fora do Brasil. Quando vemos algum comercial do gênero no país, trata-se de campanhas veiculadas mundialmente.
O que acontece? Nossos jogadores não são habilidosos atuando no próprio país? Os atletas do Brasileirão, Keirrison, Nilmar, Diego Souza, Washington, Kleber Pereira e Iarley têm habilidade e carisma suficientes para protagonizar campanhas publicitárias de seus patrocinadores. O que falta é criatividade e ousadia. Marcas esportivas devem investir e utilizar exaustivamente seus “garotos propaganda” disponíveis e ativar o retorno intangível de seu público – saúde, paixão, garra, determinação e superação –, colocando a percepção de sua marca em um patamar elevado.
Imagine um cenário vivido poucos anos atrás pela Reebok. Os dois principais times brasileiros de 2006 estão prestes a se enfrentar na final da Taça Libertadores da América e ambos possuem o mesmo patrocinador de uniforme. Ótimo momento para a Reebok, que poderia ter investido pesado em uma campanha institucional com as duas equipes simultaneamente, tendo a rivalidade e o Fair Play como mote principal.
Muitas questões atrapalham a autonomia dos patrocinadores na hora de usufruir do alto valor investido, como burocracia com contratos e direito de imagem de jogadores. O principal motivo para a não utilização de atletas em ações de marketing e em propagandas talvez seja a instabilidade de nossos jogadores em solo brasileiro. (há jogadores que não passam nem pelo profissional e já são negociados com clubes do exterior) Mas isto não é desculpa quando temos grandes jogadores com expressiva passagem em seus clubes, como Rogério Ceni, do São Paulo e Marcos, do Palmeiras, muito mal aproveitados pelos seus patrocinadores. Não estão na mídia fazendo propaganda de luvas, chuteiras, ou da própria patrocinadora de uniforme do clube que defendem.
O que falta é investimento, criatividade e pulso firme por parte do marketing de médias e grandes marcas esportivas, para alavancar este mercado muito mal aproveitado no Brasil. Os valores das cotas de patrocínio para clubes no país crescem a cada ano, mas falta saber para onde vai este dinheiro. Vamos esperar para ver o que o São Paulo, que deve se tornar o clube a fechar a cota de patrocínio mais cara do país, irá priorizar com a verba publicitária que está por vir. Tomara que seja bem direcionado e esquente ainda mais o mercado nacional.
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Os maiores eventos esportivos do mundo, como a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos são caracterizados pela sua excelência em organização. Com um número limitado de patrocinadores, os organizadores não permitem que qualquer outra marca tire vantagem da grande audiência que seus eventos propiciam para o mercado. Qualquer forma de aparição de marcas não convidadas feita nas imediações dos jogos, arquibancadas ou por participantes – o chamado marketing de emboscada – em muitos casos não é considerado ilegal, mas prejudica o patrocinador que desembolsou grande quantia para ter cobertura exclusiva ao evento.
Com um grande controle que privilegia seus patrocinadores exclusivos, os jogos de Pequim foram marcados por uma grande confusão com as camisas das seleções de futebol. Alegando que as seleções estavam descaracterizadas, o COI vetou o uso do escudo de confederações nacionais de qualquer natureza. A partir da determinação, os países participantes tiveram que correr para se adaptar.
Bélgica e Sérvia que são patrocinados pela Nike, tiveram que participar com uniformes confeccionados por Adidas e Kappa. Seleções como a da Costa do Marfim, Itália, Holanda, Camarões e Nova Zelândia, simplesmente trocaram o escudo da confederação, pelo do comitê olímpico correspondente. Já Estados Unidos e Coréia do Sul, apenas tiraram o escudo barrado.
A CBF enfrentou o COI e participou de seu primeiro jogo com seus uniformes inalterados. Só depois de ameaça à candidatura de 2016 que a CBF voltou atrás e retirou seu escudo da camisa. Já a Argentina, continuou com o escudo e com o logotipo da Adidas, sua patrocinadora.
No final o COI venceu. Semifinal do futebol olímpico e vemos o principal atacante da seleção argentina, Messi, com um tampão cobrindo o logotipo da AFA e o goleiro do Brasil com o mesmo remendo, graças à tentativa de burlar as normas.
Diante deste panorama, não se sabe dizer se há certo ou errado, ou ainda se está havendo um exagero por parte do COI. De um lado, patrocinadores investem pesado em atletas para atrelar suas vitórias à marca e na hora da retribuição são simplesmente proibidos de aparecer, cobertos por fita adesiva, costuras, ou alteração de uniforme, como já aconteceu em outra olimpiada com o Guga, obrigado a vestir Olympikus ao invés de seu patrocinador Diadora. Do outro lado temos a grandiosidade dos Jogos Olímpicos: Organização, estrutura, cobertura e imagens perfeitas, tornando-se a cada edição, a melhor de todos os tempos. Quem paga esta conta? Não são os patrocinadores exclusivos?
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Traço aqui, mais um paralelo. Desta vez, entre o crescente marketing no futebol brasileiro e o livro O Mundo é Plano, best-seller de Thomas L. Friedman. Leitura indicada pelo professor Marco Aurélio Klein do Curso Master em Gestão do Futebol, ministrado na Federação Paulista de Futebol.
Em um dos capítulos de seu livro, o americano Friedman fala sobre os Estados Unidos, o livre-comércio e sua projeção mundial. Descrevo abaixo um interessante trecho que pode, em alguns momentos, se equiparar à ascensão do marketing aplicado no futebol brasileiro.
“Aqui, argumenta o especialista em nova economia Paul Romer, de Stanford [...].
[...] Entre as décadas de 1960 e 1980, apesar do salto na oferta de profissionais com título universitário, sua remuneração apresentou um crescimento ainda mais acelerado – pois, com o aumento do tamanho e da complexidade do bolo, também os desejos da população se incrementaram, o que por sua vez expandiu a demanda por profissionais habilitados para funções e trabalhos especializados. Romer explica tal fenômeno, em parte, pelo fato de que “existe uma diferença entre bens baseados em idéias e bens físicos”. Para o profissional intelectual que fabrica e vende um produto qualquer baseado numa idéia (como serviços de consultoria ou financeiros, música, software, marketing, design ou novos remédios), quanto maior for o mercado, mais compradores em potencial ele terá. Quanto maior o mercado, também, mais novos nichos e especialidades surgirão. O inventor do próximo Windows, ou do próximo Viagra, terá a possibilidade de vendê-los para o mundo inteiro, Daí a globalização ser tão benéfica para quem trabalha com idéias – e, felizmente, os Estados Unidos como um todo possuem mais indivíduos nessa categoria que qualquer outro país do mundo.
Todavia, no caso de quem vende trabalho braçal – ou tábuas, ou barras de ferro –, o valor de seu produto não só não necessariamente acompanha a expansão do mercado como pode até cair, segundo Romer. O número de fábricas que vão comprar seu trabalho é restrito – e o número de vendedores, muito maior. O que o trabalhador braçal tem para oferecer só pode ser comprado por uma fábrica ou uma família de cada vez; já o produto de quem escreve um software ou inventa um remédio – que são baseados em idéias – pode ser vendido para toda a população do mercado global ao mesmo tempo [...].
[...] Pode haver um limite para a quantidade de bons empregos fabris no mercado, mas para o número de empregos gerados por idéias, não [...]. ”
Comparando os termos “trabalho braçal” e “empregos fabris” à produção e negociação de jogadores de futebol para o mercado europeu, e o termo “emprego gerado por idéias” às ações de marketing aplicadas no futebol pelos nossos clubes, acredito que este processo esteja se profissionalizando cada vez mais e em franca expansão no país.
Sabemos que no Brasil grande parte dos clubes depende muito da receita gerada pela negociação de seus jogadores. Com a profissionalização do marketing esportivo e sua crescente execução, considerando o torcedor como seu principal público-alvo, o departamento de marketing dos times brasileiros está encontrando grandes alternativas para a geração de receitas a longo prazo, fazendo com que, em um futuro próximo, a venda de grandes jogadores não seja o principal meio para balancear os números dos nossos clubes.
Vale mencionar algumas ações recentes de destaque praticadas por alguns dos principais clubes do país que, assim como tantos outros espalhados pelo Brasil, já demonstram o interesse e a necessidade de uma profissionalização na gestão do futebol.
Internacional e Grêmio – projeto sócio-torcedor
Cruzeiro – cartão fidelidade
São Paulo – grande parceria no licenciamento de produtos
Atlético Mineiro, Corinthians – franquia de loja própria
Palmeiras – fidelização e relacionamento em arena
Ainda falta muito para chegar lá, mas levando em consideração a diferente realidade entre nós e as grandes potências consumidoras do esporte, estamos no caminho certo.
Que a corrupção não nos atrapalhe!
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Todos sabemos que diversos clubes já possuem lojas próoprias distribuidas no seu Estado e em algumas importantes capitais do país. Porém, o Corinthians inaugura um projeto ousado de franquias.
O grande diferencial está no clube que promove a franquia. Se trata do segundo time mais popular do Brasil, com grande torcida espalhada por todo o país, desbancando inclusive clubes locais em certos Estados. Veja matéria abaixo, publicada hoje dia 27 de junho, no Globoesporte.com:
“A diretoria de marketing do Corinthians lançou na última quinta-feira, num espaço de exposições em São Paulo, um projeto de franquias da loja Poderoso Timão. A idéia é ter, no prazo de um ano, ao menos 40 lojas entre Grande São Paulo, interior paulista e Paraná. Logo de cara, os cofres alvinegros vão engordar R$ 3 milhões.
Esse valor foi estipulado em contrato, que tem previsão mínima de cinco anos, e será pago pela franqueadora SPR em seis parcelas – a primeira acontece no próximo mês de julho. Mas esse será o único lucro do Timão? Não. O clube terá direito a 10% do lucro bruto das lojas e 7% dos quiosques em shoppings.
- Isso é realmente coisa de um bando de louco. É um projeto ambicioso, mas que sabemos que vai dar certo pela força da marca Corinthians – comenta o vice-presidente de marketing Luís Paulo Rosenberg, fazendo uma alusão ao famoso grito da torcida alvinegra “aqui tem um bando de louco, louco por ti Corinthians”.
O objetivo é inaugurar a primeira franquia em setembro. A partir daí se inicia a meta de 40 lojas para o primeiro ano, 30 para o segundo e mais 30 no terceiro. Abertas 100 lojas, a estimativa feita por Pedro Grzywacz, da SPR, é que em quatro anos o faturamento geral seja de R$ 100 mi/ano, R$ 10mi/ano para o clube.
Estiveram presentes no lançamento do projeto, além do presidente Andrés Sanches e do vice de marketing Luís Paulo Rosenberg, o zagueiro William e o técnico Mano Menezes, que foram bastante assediados pelos torcedores.”
*matéria na íntegra: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Corinthians/0,,MUL615940-9862,00-PROJETO+DE+FRANQUIAS+RENDERA+R+MILHOES+AO+TIMAO+MAIS+DO+LUCRO+DAS+LOJAS.html
Clubes como Corinthians e Flamengo, se usarem o licenciamento de produtos à seu favor, podem ganhar muito dinheiro e ajudar a combater a pirataria no Brasil. O trabalho precisa ser feito com seriedade. Na inauguração, uma promoção com produtos de segunda linha e mais baratos, atrairia e acostumaria o público com a idéia de produtos licenciados acessíveis.
Lojas virtuais alavancam as vendas de produtos licenciados, mas imagine um torcedor do Corinthians ou do Flamengo entrando em uma loja do seu clube, em um Estado distante de São Paulo ou Rio, ou quem sabe futuramente em outro país.
Grandes clubes europeus garantem grande parte de seu faturamento anual com o licenciamento de produtos, sendo 80% deste só com a venda de camisas oficiais. Será que o Brasil está finalmente, aplicando o benchmarking no esporte?
Tomara que sim.
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No último dia 05 de maio, o Mixto superou o União Esporte Clube e levantou o Troféu Pedro Jacyr Bongiolo, referente ao título do Campeonato Matogrossense de Futebol 2008. Pedro Jacyr Bongiolo, dirigente do União Esporte Clube, quase conquistou um troféu com seu próprio nome.
O empresário foi homenageado pela Federação Matogrossense de Futebol por tudo o que trouxe ao futebol do Estado. De simples torcedor, Pedro virou colaborador, passou a diretor, hoje é Presidente do Conselho Deliberativo do União e também presidente do Mato Grosso Sport. Reconhecido e aclamado por todo o Estado do Mato Grosso, o empresário, que ocupa o cargo de diretor presidente do Grupo André Maggi, um dos maiores grupos produtores de soja do mundo, investe pesado no futebol e mostra que o Brasil tem capacidade de alavancar o esporte com transparência e seriedade.
Abaixo, a reportagem intitulada Agronegócio F. C., da edição de junho da revista Placar, destaca a ascensão técnica e comercial do futebol matogrossense:
” Produção recorde de álcool, preço do milho nas alturas, pecuária cada vez mais forte… Os produtores rurais vivem um ótimo momento no Brasil. Agora o agronegócio chegou também ao esporte e promete mudar a história do futebol em Mato Grosso.
Presidente de um dos maiores grupos produtores de soja do mundo, Pedro Jacyr Bongiolo assumiu as divisões de base do União Esporte Clube, de Rondonópolis. Cerca de 2 milhões de reais foram investidos em um complexo com sete campos de futebol, academia de ginástica, vestiários, departamento médico e alojamentos para os mais de 1000 jovens do projeto. O diferencial do clube, no entanto, são seus patrocinadores. Gigantes como a Monsanto, líder mundial no desenvolvimento de transgênicos, a John Deere, maior fabricante de máquinas agrícolas do mundo, o Rabobank, banco holandês especializado em crédito agrícola, e a Bunge, maior esmagadora de soja do planeta, são alguns dos investidores. Com um projeto de sucesso nas mãos, Bongiolo já almeja vôos mais altos. “A intenção é ter um grande clube como parceiro. Senão, vamos buscar parcerias no exterior”, garante o empresário, afirmando que a idéia principal é revelar jogadores para a Europa.”
Não conheço os nomes importantes do futebol matogrossense, mas comparando com o que se lê freqüentemente sobre alguns nomes do futebol paulista, carioca e, mais recentemente, pernambucano, fico na expectativa de que o nosso futebol possa se profissionalizar mais rapidamente. E o melhor… com transparência.
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Estamos cansados de ouvir falar e de sermos abordados por cambistas. Eles estão aí faz tempo, superfaturando e ocasionando filas por ingressos.
Quem nunca precisou comprar ingresso de cambista?
Antigamente, cambistas eram aqueles que se dedicavam ao câmbio (troca de moedas) nas feiras e nos núcleos urbanos no feudalismo. Hoje, esta “troca” está um pouco “superfaturada”, além de ser ilegal. No Brasil, os cambistas atuam principalmente em shows e jogos de futebol.
Se juntarmos a atuação destes aproveitadores com a má administração na venda de ingressos e a possível corrupção nas bilheterias, temos aí um verdadeiro CAOS. Não sabemos até que ponto, funcionários de clubes estão envolvidos neste ato, se é que estão, mas as suspeitas crescem cada dia mais. No dia 17 de abril, antes da semifinal do Paulistão 2008 entre Palmeiras e São Paulo, o jornal “O Estado de S. Paulo” fez uma denúncia indicando cambistas que têm livre acesso ao Palestra Itália para conseguir entradas. “- Há mais de 20 anos, compro direto lá dentro, no Palmeiras” – afirma o cambista, conhecido como Maguila, ao repórter do jornal.
Em outro caso mais recente, torcedores do Corinthians, ao tentarem adquirir seus ingressos para o segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil, encontraram imprevistos na primeira meia hora de venda dos bilhetes. Problemas de distribuição no local e reserva de ingressos para torcedores de organizadas são usados como desculpa pela bilheteria. E a revolta de torcedores, que passam madrugadas na frente das bilheterias, continua crescendo.
O mundo inteiro quer acabar com os cambistas, principalmente quando estes atuam em grandes eventos. Segundo notícia do site Máquina do Esporte, Pequim já tem seus planos para dizimar este problema.
“ Visando o “desenvolvimento normal” das Olimpíadas de Pequim, autoridades chinesas ficarão com atenção máxima sob pessoas que possam atrapalhar o público e o os atletas durante os Jogos. Manifestantes, vendedores ambulantes e até mesmo os cambistas poderão ser mandados para campos de trabalho caso atrapalhem o bom andamento da competição. Em entrevista ao jornal “Notícias de Pequim”, um dos responsáveis pelo Departamento de Segurança Pública declarou que os revendedores não autorizados de ingressos estarão sob vigia da polícia, que estará em grande número por todo o local de competição para assegurar que não ocorram irregularidades. Ser mandado para campos de trabalho é uma forma de “reeducação por meio de atividades”, adotado por todo o governo chinês e considerado uma punição “administrativa”. O condenado poderá ficar até três anos cumprindo pena.”
No Brasil não dá pra resolver o problema de cambistas de um dia para o outro, mas existem maneiras, utilizadas timidamente em alguns clubes do Brasil e massivamente na Europa, que já podem diminuir a atuação desta máfia. Sabemos que atualmente, a melhor maneira de adquirir ingressos se dá por meio da tecnologia, seja pela internet, ou, mais recentemente, pelo celular.
Pensando em agilizar o processo de compra e, principalmente, o de entrada nos estádios, quanto mais simples e dinâmica for a compra dos ingressos, mais eficiente será o serviço, e com mais rapidez ele se expandirá. Não esquecendo que o maior foco da ação é atingir todas as classes sociais. Utilizando a tecnologia mais acessível para todos os públicos, temos no celular um importante facilitador para este processo. Para exemplificar, é só lembrar a quantidade de promoções atreladas ao telefone móvel, divulgadas diariamente na TV e internet, e imaginar o astronômico retorno que elas proporcionam a seus idealizadores e operadoras responsáveis pelo serviço.
Com a grande febre dos ringtones, que atinge todas as classes sociais, principalmente a mais baixa, por que não utilizar este serviço para a compra de ingressos?
Já praticado no Brasil por algumas empresas, a compra de ingressos pelo celular faz parte principalmente do cotidiano europeu. Em alguns casos, na compra do bilhete, o usuário recebe uma mensagem de código de barras no celular, e na entrada do estádio ou casa de espetáculo, este mesmo código de barras é usado para liberar seu acesso.
Não imagino grandes problemas na entrada de torcedores por este serviço aqui no Brasil. Esta compra poderia também ser feita diretamente pelo celular, onde o valor do ingresso seria descontado dos créditos do usuário, o mesmo processo de compras de ringtones.
A compra de ingressos pelo celular é um formato inovador, quando se quer atingir a maioria do público. A sua popularização pode ser duvidosa mas, se for dinâmica e bem administrada, deve criar adeptos rapidamente, melhorando o acesso aos estádios e o controle de ingressos, banindo aos poucos, a ação de cambistas.
Ainda citando Pequim, a tecnologia será utilizada para controlar todos os espectadores das cerimônias de abertura e encerramento. Segue abaixo a notícia publicada no site Máquina do Esporte:
“Para aumentar a segurança das Olimpíadas, o Comitê Organizador dos Jogos de Pequim (BOCOG), anunciou que, pela primeira vez na história, os ingressos das cerimônias de abertura e fechamento terão um chip eletrônico de identificação de seu proprietário.
Cada uma das 91 mil pessoas esperadas no Estádio Nacional para as cerimônias terá o chip com uma foto, detalhes pessoais, dados importantes e do passaporte, endereço e números para contato.
Com o chip, as autoridades chinesas querem prevenir atos de terrorismo, e também evitar cenas de protesto nas cerimônias, como bandeiras do Tibet ou faixas contra a China.
O BOCOG chegou a cogitar a possibilidade de colocar chip em todos na carga total de ingressos dos Jogos, aproximadamente 7 milhões de ingressos, mas a medida não foi aprovada devido ao imenso trabalho que seria demandado.
Não é a primeira vez que a idéia do chip no ingresso vem à tona Na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, a medida esteve próxima de ser aprovada, mas foi abortada devido ao pouco tempo para organização.”
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