Traço aqui, mais um paralelo. Desta vez, entre o crescente marketing no futebol brasileiro e o livro O Mundo é Plano, best-seller de Thomas L. Friedman. Leitura indicada pelo professor Marco Aurélio Klein do Curso Master em Gestão do Futebol, ministrado na Federação Paulista de Futebol.
Em um dos capítulos de seu livro, o americano Friedman fala sobre os Estados Unidos, o livre-comércio e sua projeção mundial. Descrevo abaixo um interessante trecho que pode, em alguns momentos, se equiparar à ascensão do marketing aplicado no futebol brasileiro.
“Aqui, argumenta o especialista em nova economia Paul Romer, de Stanford [...].
[...] Entre as décadas de 1960 e 1980, apesar do salto na oferta de profissionais com título universitário, sua remuneração apresentou um crescimento ainda mais acelerado – pois, com o aumento do tamanho e da complexidade do bolo, também os desejos da população se incrementaram, o que por sua vez expandiu a demanda por profissionais habilitados para funções e trabalhos especializados. Romer explica tal fenômeno, em parte, pelo fato de que “existe uma diferença entre bens baseados em idéias e bens físicos”. Para o profissional intelectual que fabrica e vende um produto qualquer baseado numa idéia (como serviços de consultoria ou financeiros, música, software, marketing, design ou novos remédios), quanto maior for o mercado, mais compradores em potencial ele terá. Quanto maior o mercado, também, mais novos nichos e especialidades surgirão. O inventor do próximo Windows, ou do próximo Viagra, terá a possibilidade de vendê-los para o mundo inteiro, Daí a globalização ser tão benéfica para quem trabalha com idéias – e, felizmente, os Estados Unidos como um todo possuem mais indivíduos nessa categoria que qualquer outro país do mundo.
Todavia, no caso de quem vende trabalho braçal – ou tábuas, ou barras de ferro –, o valor de seu produto não só não necessariamente acompanha a expansão do mercado como pode até cair, segundo Romer. O número de fábricas que vão comprar seu trabalho é restrito – e o número de vendedores, muito maior. O que o trabalhador braçal tem para oferecer só pode ser comprado por uma fábrica ou uma família de cada vez; já o produto de quem escreve um software ou inventa um remédio – que são baseados em idéias – pode ser vendido para toda a população do mercado global ao mesmo tempo [...].
[...] Pode haver um limite para a quantidade de bons empregos fabris no mercado, mas para o número de empregos gerados por idéias, não [...]. ”
Comparando os termos “trabalho braçal” e “empregos fabris” à produção e negociação de jogadores de futebol para o mercado europeu, e o termo “emprego gerado por idéias” às ações de marketing aplicadas no futebol pelos nossos clubes, acredito que este processo esteja se profissionalizando cada vez mais e em franca expansão no país.
Sabemos que no Brasil grande parte dos clubes depende muito da receita gerada pela negociação de seus jogadores. Com a profissionalização do marketing esportivo e sua crescente execução, considerando o torcedor como seu principal público-alvo, o departamento de marketing dos times brasileiros está encontrando grandes alternativas para a geração de receitas a longo prazo, fazendo com que, em um futuro próximo, a venda de grandes jogadores não seja o principal meio para balancear os números dos nossos clubes.
Vale mencionar algumas ações recentes de destaque praticadas por alguns dos principais clubes do país que, assim como tantos outros espalhados pelo Brasil, já demonstram o interesse e a necessidade de uma profissionalização na gestão do futebol.
Internacional e Grêmio – projeto sócio-torcedor
Cruzeiro – cartão fidelidade
São Paulo – grande parceria no licenciamento de produtos
Atlético Mineiro, Corinthians – franquia de loja própria
Palmeiras – fidelização e relacionamento em arena
Ainda falta muito para chegar lá, mas levando em consideração a diferente realidade entre nós e as grandes potências consumidoras do esporte, estamos no caminho certo.
Que a corrupção não nos atrapalhe!
Olá!
Muito interessante o post!
É interessante salientar que Grêmio e Inter, além do item citado, também já contam com cartão fidelidade, franquia de lojas proprias entre outros itens.
Abraço!
Olá Fabricio
Obrigado pelo comentário.
Com certeza times como Grêmio e Inter já praticam muitas destas ações de marketing e com muito sucesso. Apenas dei um destaque especial em algumas das principais ações destes clubes.
Um abraço!
Leonardo Gerodetti